
O título da apresentação é how to
build na agency from scratch (como montar uma agência a partir do zero),
ou, como ele mesmo brincou, how to say goodbye to your life (como dar tchau à
sua vida). Achei muito interessante, principalmente vindo de um dos criadores
da agência mais hype da atualidade que, inclusive, levou o Gran Prix em
Titanium esse ano com um case sensacional para a rede de varejo Best Buy.
Ele começou a apresentação contando que, antes da sua
própria, nunca havia trabalhado na agência dos outros: foi redator e escritor
freelancer por 16 anos. Resolveu montar sua própria quando sua esposa deu o
ultimato: ‘com 39 anos, não seria hora de você arrumar um trabalho de verdade?’
Nasceu aí a Crispin & Porter Advertising, em sociedade com Sam Crispin (que
saiu do negócio em 1993). A logo da agência – aí do lado – foi feita por outro
freela, Alex Bogusky, que logo se tornou sócio, até abandonar a publicidade há
poucas semanas.
Na pequena agência que ficava em Miami, na Flórida (hoje
está em Boulder, no Colorado) trabalharam pesado, sempre buscando fazer o
melhor. Depois de 2 anos, foram assunto de uma edição da revista Communications
Arts. Daí, veio o que Porter chamou de a primeira lição que aprendeu sobre como
construir uma agência:
#1 – A imprensa é algo extremamente importante. Por
isso mesmo, disse, prêmios assim são ótimos.
Na época, o departamento de criação tinha 7 pessoas -
incluindo ele. Com a notícia, receberam ligações de várias empresas,
conquistaram novos clientes, mas, o mais importante, segundo ele, foi que, de
repente, milhares de garotos talentosos quiseram trabalhar ali. Isso nunca
tinha acontecido antes, disse. De uma hora pra outra, pessoas de todo o país
começaram a procurar a agência em busca de vagas. Além de algo fantástico,
destacou, isso os ensinou a contratar.
#2 - Os
critérios para uma boa contratação são: cérebro, talento, paixão, curiosidade e
experiência - nessa mesma ordem.
Eles não buscaram seus primeiros funcionários com base em
portfólios ou pelos cursos no currículo. A procura era por jovens inteligentes.
As promoções, contou, também tiveram como base esses critérios – o que fez
deles parte forte na cultura da agência. Isso o levou até outro ponto
essencial:
#3 - A importância da missão da agencia.
Ter uma filosofia é algo que faz parte de uma agência. No
entanto, ele destaca que todas - inclusive a CP+B - dizem a mesma coisa. Pra
toda agência, o trabalho é o que há de mais importante. Portanto, ao menos que
você tenha uma proposta única de valor – realmente exclusiva – isso não
diferencia, contou Porter. O que é realmente importante pra ele é a missão.
Na Crispin, foram 5 anos até que chegassem a uma missão
real: produzir os trabalhos de comunicação mais comentados do mundo. Na
época, eram 90 pessoas lá. E, a partir daí, tudo passou a ser mensurado nessa
perspectiva. Pra qualquer coisa que era feita na agência, contou Porter, eles
se perguntavam: ‘o quanto isso nos ajudará a chegar lá?’ Se não ajudaria,
provavelmente deveriam estar fazendo outra coisa. Ele afirmou que esse
pensamento os levou a aprender uma outra lição:
#4 - Ideias que não são produzidas não tem valor.
Entao, aprenderam que a criatividade é a coisa mais importante na agencia.
Porém, só uma outra coisa é tão importante quanto:
#5 - ‘’Atendimentos Ninja'. São eles os
responsáveis por fazer o trabalho ganhar vida, diz. Assim como são eles a razão
da CP+B conseguir produzir o nível de trabalho que possui.
A essa altura, coloca, a agência tinha uma missão, uma
ótima logo e um espaço totalmente cool. Mas o que mais era essencial? Os
clientes, destacou. Sem eles, não dá pra fazer nada. Portanto, aconselha a não
abrir uma agência, ao menos que já se tenha um cliente para começar.
Outro ponto interessante, é que ele conta que bem cedo,
aprenderam o que ele também enxerga como fundamental:
#6 – Ser capaz de chamar a atenção sem ter dinheiro.
Como é muito pouco provável que você comece uma agência com um cliente de marca
top com verbas enormes, diz, terá que se acostumar a chamar a atenção gastando
pouco dinheiro.
#7 - Ele também acredita que, quando se está começando,
é ok trapacear - não no sentido de ser desonesto, mas sim no sentido de
expandir as regras.
O exemplo que ele usa é bem interessante. Nos EUA, quando
você compra direct response TV (TV de resposta direta), sai muito mais barato
do que comprar TV normal. Mas pra isso, é preciso ter um produto pra vender e
um número 0800. Quando a agência lançou o Mini Cooper no país, a verba era
pequena. Eles fizeram, então, várias coisas inusitadas. Uma delas foi que
queriam anunciar na TV, mas não dava pra vender carros via 0800. A solução foi
criar um DVD que apresentava o carro indiretamente, como sendo um produto
vitima de falsificação. O que estava a venda era o filme, que trazia
depoimentos de vitimas humilhadas (dá pra assistir o comercial no video 2 da
palestra – no final do post).
Outra dica é:
#8 - Remar contra a maré. O Porter conta que
agências novas tem mais facilidade pra fazer isso. Ele conta que quanto mais
você consegue chegar perto do produto, mais consegue fazer pelo seu cliente.
Para o Burguer king, por exemplo, a parceria se tornou tão próxima, que hoje
criam produtos para a marca.
#9 - Por ultimo, ele conta que o elemento que as
pessoas não dão valor, mas é essencial é a sorte. Segundo ele, ela
existe e é importantíssima. Foi exatamente o que desejou aos presentes antes de
se despedir.
Texto retirado inteiramente do CHMKT
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